Noite de Artes da ALARP
Nem sei mensurar a emoção desta noite. Noite de lazer solitário, partilhado com os artistas no palco, únicos talvez, à sentir o mesmo calor na alma, plenamente identificada.
De início 70 violinos encheram o palco, aos poucos, num infindável afluir de sonhos personificados em jovens aprendizes.Aí eu lhes pergunto, onde haverá 70 interessados em aprender instrumento tão nobre e raro? Pois, meus caros a profa Marisa Lemos conseguiu arrebanhá-los. A platéia de pais, avós e tios, foi ao delírio, os olhos dos meninos eram só brilho, e a pontinha da estrela da esperança cutucou feridinha no meu coração. Doeu de lindo.
Logo depois as meninas, poetisas recitadeiras, invadiram o espaço. Era Jair Yanni a colocar flores na janela, para uma saudade que espera o momento de chegar. Era Vera Gaetani, otimista, revestida dos mais puros sentimentos, uma coincidência de olhar. Era Lucília, altiva e bela no seu vestido de babado, lilás, sua moça e o boiadeiro, enchendo o teatro inteiro com suas cantigas, e seus versos, e seu sonho, e seu pesar. Porque a vida é bela, e a tristeza é parte dela.
Um acordeon nas mãos do mestre Antonio Carlos Assalin, trouxe meu avô, que não conheci, para sentar-se ao meu lado, e me tirou para dançar. A perna escorregou lenta pela fenda do vestido, adivinhando um tango, mas os acordes ciganos me colocaram na roda, em volta da fogueira, sob a luz do luar. E dançamos vívidos, rostos afogueados, mãos unidas, cabelos revoltos, lá onde tudo é permitido, no território do imaginar. Confesso, nunca vi tal virtuosismo.
Houve uma espécie de ressureição, quando Gesmar, Djalma, e Maria Lúcia recitaram o jogral. Meu Deus! Quanta distância da chatice dos tempos de escola! Quanta emoção! Que vozes lindas! Aplaudi, sinceramente grata.
A noite terminou com o coral MInaz, e seus moços e moças que, como a maestrina, Gisele, acompanho desde crianças. Explico, minhas filhas, ainda meninas, cantaram no coral, quando todos eram crianças, menos Gisele e eu. Lindos! Diz o poeta que a música é a linguagem dos anjos, digo que acredito, pois fiquei ali, pairando à alguns centímetros do chão, sustentada pelas belas vozes e as inúmeras possibilidades que elas entoavam ,já que cantavam trechos de ópera, e óperas são histórias.
Saí dali em total enlevo, guardando comigo os abraços que seriam dos amigos artistas. Não os encontrei.Foi melhor assim. Fico com suas imagens transformadas pela magia do palco.
Beijos em todos.

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