Quasar- CIA de dança
Sei que é tarde , mas não vou dormir sem contar para vocês , o que foi esse este espetáculo, “Por instantes de felicidade”.
Ele foi isso mesmo: uma felicidade.
Para mim foi um pouco mais, foi a realização de uma idéia, que achei que era coisa da minha cabeça: eles dançaram a palavra.
Quando concebi meu poema “Pas de deux”, do livro Estréia Poética, descrevi uma coreografia, viva em meu pensamento, e hoje Quasar prova que é possível dançar a palavra, dançar a trilha incidental de um filme, dançar o silêncio, dançar depoimentos, gaguejar o movimento, dançar a música cantada, a brasileira e a estrangeira misturadas, dançar passos de jazz junto com o contemporâneo , numa técnica primorosa e numa fluidez incomparável.
Uma delicadeza de gestos e expressões, cuidados.
Luz sob domínio.
Música da boa.
Destaco o delicioso momento dos meninos rebolando sambinhas, com as calças arriadas, cuecas engraçadas à mostra, brincadeira sensual, pernas maravilhosas; as confissões inconfessáveis, ambientadas no banheiro, tão verossímeis, que se comparam às nossas próprias, humanizando o divino artista; o incrível gaguejar do corpo, domínio pleno.
No mais foram belos e íntegros, inovadores, comoventes, em seus pas de deux, no conjunto masculino, no elenco sob os focos, em Smile, e tantos outros mais.
Foi um momento único.
Genial!
Deixo um recadinho para o Benê: agora só quero ver contemporâneo assim, feliz.
Deixo um beijo para Evandro pelo tratamento VIP. Deixei um lugar vazio ao meu lado, para Tiago, meu mestre.
Escrito por Eliane Ratier às 10h48
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Contando de Contardo
É assim mesmo gente, quando a gente é fã e fica diante do ser admirado, perde o rebolado, o assunto, e algumas vezes a compostura. Não cheguei à tanto, mas confesso que foi uma emoção e um prazer ter Contardo Calligaris por perto.
Temos uma grande coincidência de idéias e suspeito que somos do mesmo signo.
Ele fala com pertinência sobre psicologia, política, literatura.
Sóbrio e encantador no jeans com camisa azul.
Pena que a platéia não ajudou, levando-o para o árido assunto político, que ele abraçou, e de quebra deu uma pequena aula sobre a história da formação da Itália.
No mais, demonstrou ser admirador da língua portuguesa, inconformado com a infantilidade da juventude e um homem que acredita na importância das amizades, fato que pesou na sua escolha pelo Brasil, como seu local de moradia.
Falou, também de seu processo criativo, onde considera fundamental o compromisso de escrever crônicas, para que pudesse escrever seu romance. Isto o habituou à linguagem leiga, coloquial,onde é mais importante ser claro do que parecer inteligente, onde se aprende a não dizer tudo o que se sabe sobre o assunto, sob pena de cansar ou confundir o leitor, mas só a parte que realmente interessa, o cerne, o coração.
E assim foi Contardo em Ribeirão. Levou meus cartões poéticos como presente.
Espero que volte e espero que voces possam estar com ele.
"o que me interessa são as questões e não as opiniões, não sou um homem de certezas." Contardo Calligaris, Rib Preto, 25 de julho de 2008
Escrito por Eliane Ratier às 22h00
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Clarice Lispector
Meninos e meninas, desisti de Philip Roth, O complexo de Portnoy. quem tiver paciência ou abraçar o tema, divirta-se com as neuras confessionais sobre o homosexualismo e a criação judaica. A hora da estrela- Clarice LIspector- livro para vestibular, que sequestrei de minha filha antes que ela leia, é que amo Clarisse. Estou imersa em seu universo e me emociono a cada parágrafo. Não pela história em si, que ela demora à contar, desnecessário dizer que estou roendo ossos de curiosidade, mas pela sua tão familiar agonia ao contá-la, sua dúvida inerente ao ser.
Categoria: o que estou lendo
Escrito por Eliane Ratier às 07h31
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