Clarice Lispector, Marília Pêra

Queridos, devolvi o livro de Clarisse para a filha que vai prestar vestibular, com a seguinte recomendação: leia Clarisse como se ouvisse um concerto e não conhecesse música, deixe-se levar pelo sentimento, Clarisse ultrapassa entendimentos, Clarisse é sentimento.

Agora estou lendo a divina Marília Pêra, em Cartas para uma jovem atriz, e confesso que me é penoso largá-lo. Ouço-a à relatar os casos, vejo-a nos camarins, estudando textos, sinto o perfume de seus cabelos, admiro sua história, sua disciplina, irmano sentimentos e impressões. Marília perfunde suas verdades nas minhas veias, animando a atriz, e me sinto mais e melhor, ao reconhecer-me em gestos, gostos e hábitos.