Wagner Moura na FAAP
Era para vir Wagner Moura,mas nosso Hamlet está afônico. Veio a produção, gente ´pra lá de boa. Gente reafirmando que tem que ter garra , que não se encontra tudo pronto, que o caminho é feito ao caminhar. Gente que exercita o jogo de cintura , a flexibilidade, a criatividade. Passaram um DVD, making of, onde pudemos ver nuas e cruas as almas dos artistas, seu processo de construção de personagem, a generosidade do diretor, Aderbal, e a sua condução certeira. A identificação vem de pronto e a emoção flui. A atriz revira-se nas entranhas e bate de leve no peito, pedindo espaço, pedindo luz, pedindo palco. "Solta-me, te peço, dê-me um tempo, qualquer um, grande ou pequeno, solta meus braços, liberta a minha voz,minha garganta rouca seca, mas não cala, sussuro cada fala ao teu ouvido surdo, grito cada verso no teu olhar calado, vivo cada história no espaço do teu corpo, engano a prisão e escapo pelos teus gestos desavisados, então solta-me, antes que eu faça um estrago." A Faap nos trata muito bem, estacionamento, sala confortável, revistas, brindes, recepção simpática e eficiente, e mais do que as instalações, nos dá a oportunidade do aprendizado e do encontro.
Escrito por Eliane Ratier às 07h12
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Olimpíadas, 2008
Meninos, sei que isto já é passado, mas não posso deixar de comentar o fato.
Não sou fã de esportes, mas aqui em casa todos são, por isso vi uma coisinha aqui, outra lá. E o que vi , impressionada, foi a cerimônia de abertura. Vamos começar pelas instalações. Que estádio belíssimo! Que show de tecnologia! E o cubo d'água, então, fiquei sem palavras ao vê-lo por inteiro nas fotos das revistas.
Tem gente que critica o tanto de dinheiro gasto, a maquiagem da miséria, o trabalho escravo, a situação política, mas eu penso que, de uma forma ou de outra, o que foi construído será revertido em ganho social para a população, e o sucesso dos jogos, a gentileza dos anfitriões, todo o esforço empregado, refletirá na auto estima do povo, que se viu capaz, e de maneira brilhante, de receber o mundo em sua casa.
Voltemos á cerimônia de abertura. Os tambores pareciam de mentira, fotomontagem, mas eram reais, sincrônicos, detalhistas e belos. Até as cabeças se moviam juntas, e era um mar de gente. O mesmo se deu com todos os quadros, criativos, suntuosos e representantes fiéis da cultura do povo chinês.
O símbolo escolhido, o desenho que compunha toda a identidade visual do evento, foi de uma delicadeza ímpar, e eles souberam usá-lo com propriedade.
A cerimônia emociono-me às lágrimas, e olha que não fui só eu. Naquele momento o que me vinha à mente era que, se aquela multidão se uniu para produzir beleza, motivados pela vontade, nós, seres humanos, habitantes do planeta Terra, seriamos capazes de nos unirmos para produzir qualquer coisa, desde que quiséssemos, inclusive a paz mundial.
Ingênua ou não, acredito no homem e na sua capacidade, é só preciso a lembrança de que podemos tudo o que queremos, basta-nos querer.E talvez o primeiro passo seja assumir este querer próprio e parar de servir aos quereres de outros que tem o poder, mas não se dispõe á fazer.
Penso que os atletas são bons exemplos de superação e dedicação, e que o reconhecimento destes valores através dos jogos, pode inspirar-nos na busca por nossos objetivos. Afinal, embora pareçam feitos de outra matéria,eles são gente como a gente, e mesmo que nossa luta pareça pequena, merecemos uma medalha a cada vitória.
Beijos
Escrito por Eliane Ratier às 17h54
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Cláudio Cruz e Nahim Marun
Olá, pessoas,ontem fui ao teatro assistir aos mestres Cláudio Cruz e Nahim Marun.
Música clássica é sempre um prazer.
Tenho um amigo que diz que não gosta porque não entende. Eu também não entendo, mas me entrego às sensações que a música desperta em mim.
E foi assim, entregue, que apreciei o virtuosismo de Cláudio Cruz ao violino, e a suavidade e precisão de Nahim Marun ao piano.
Foi belíssimo.
De Cláudio Cruz,digo que esta´cada vez mais simpático em sua função de educador e que é mestre ao executar as peças com o colorido pedido. Por 2 ou 3 vezes, e que ele me perdoe por isso, eu o xinguei intimamente. É que ele é bom e sabe disso, e nos deixa embasbacados ao vê-lo, imóvel, certamente à sorrir por dentro, enquanto as notas ainda pairam límpidas sobre nossas cabeças, humanos de respiração suspensa, à espera do próximo movimento, e xingá-lo talvez seja o maior elogio.
Já Nahim, é velho conhecido, tanto que ele nem suspeita a imagem que dele guardo, jovem estudante de farmácia, é isso mesmo, dedicado, à praticar nos pianos das freiras, nos porões do Auxiliadora. Naquela época ele se preparava para um concurso. Sabe Deus, se ele ainda se lembra da colega de estudos, que abandonava seus métodos de aprendiz para esticar os ouvidos e beber-lhe o talento. Foi para mim, uma grande surpresa, vê-lo assim , artista consagrado em sua trajetória, um senhor, como eu também já sou senhora, mas com o mesmo olhar menino de 20 e tantos anos atrás.
Desta história ele nem suspeita, mas ainda terei a oportunidade de cutucar-lhe as lembranças.
Escrito por Eliane Ratier às 17h23
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Bienal do livro SP
Não há palavras para descrever a sensação única de fazer parte deste grandioso evento.
Passei pela Bienal em seu segundo dia, fui à procura de um velho amigo, seguindo indicações vagas sobre o lançamento de uma revista da qual ele faz parte.
Entrei com o crachá de autora, honraria que me confere o fato de ter tido a audácia e a coragem de publicar um livro, mesmo que de maneira independente.
Os atendentes gentilíssimos, tentaram, por todos os meios transformar em algo concreto, minhas vagas indicações.
Descobrimos que a revista Panorama Editorial, aliás, excelente publicação, da qual faz parte meu velho conhecido, e agora reconhecido amigo, Fanca Cortez, era uma publicação da Câmara Brasileira do Livro, a entidade promotora do evento. Pode?
Pois é , e a recepcionista largou o seu posto só para me acompanhar ao estande da CBL, e gentilíssima me apresentar aos responsáveis.
Achei a revista, peguei meus exemplares, mas nada do povo de Ribeirão, que deveria estar por ali.
Continuando o passeio visito o estando da In House, uma editora que reúne, de maneira agradável e produtiva os autores de Jundiaí. Livros lindos e bem cuidados, autores felizes com o tratamento e os encontros que a editora promove. Deixei meu contato, quero saber mais sobre eles, sobre suas experiências, quem sabe possam nos ajudar a enriquecer nossos encontros.
Passei também na Andross, outra editora, que publica antologias temáticas. Edson Rossato é o responsável, ele é escritor e professor de literatura. Jovem, simpático, ativo, inteligente e bem humorado. Tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente, já que ele era, para mim, um contato virtual, um endereço no mailing. Trocamos livros e "figurinhas".
Mais adiante paguei visita ao Maurício da Biblioteca Nacional. O retrato da simpatia. As publicações da Biblioteca são de um cuidado extremo com a qualidade e a beleza, é sempre um prazer fazer esta visita.
Não visitei as grandes editoras por absoluta falta de tempo, precisaria mais uns 2 dias, mas estive me deliciando no estande do SESC. Quer ser bem tratado? Vá ao SESC. Atendentes gentis, interessados, e conhecedores do assunto. Comprei mil livrinhos baratinhos e deliciosos, estou me lambuzando,além de ter ido brincar no telão, ganhar brindes e, ter passado um dos melhores momentos de minha vida. Explico: foi lá que encontrei meu ídolo literário, Fabrício Carpinejar.
Fabrício Carpinejar é escritor gaúcho, filho de pais escritores, é de uma poesia refinada e uma prosa encantadora. Sou fã, e foi como fã que o conheci, aqui em Ribeirão, recorte de jornal na mão, uma sua poesia infantil, e eu a buscá-lo, ignorante das consequências. Fabrício foi quem me levou á participar da feira do livro da minha cidade, abriu meus ouvidos com sua prosa poética, dita aos berros, junto á platéia minúscula, me conferiu a coragem de quem deixa de ser mais um na multidão para tornar-se única. Julgo-o e nomeio-o co responsável por minha escrita. Depois que as pernas pararam de tremer, eu o presenteei com o livro e os cartões, e ganhei a oportunidade de assistí-lo num encontro promovido ali, na arena do SESC. Foi O momento de glória. Adorei cada segundo. Absorvi e troquei idéias com aqueles que admiro e que são, de certa forma, as cabeças pensantes nacionais.
Em estado de graça, terminei de percorrer a feira, parando aqui e ali numa banca de ofertas, levando presentes para os meus professores, que deveriam estar presente, escolhendo um livro para o amigo, para o marido, algo para as filhas e egoísticamente, muito para mim.É que muito me interessa: línguas, arte, literatura universal, ficção, poesia, educação, dança, fotografia.
E assim passeando, quase chegando na saída, encontro, como que numa brincadeira do destino, o amigo Fanca, da revista Panorama, meu primeiro objetivo nesta Bienal.
São os bordados do destino. Caprichoso!
Escrito por Eliane Ratier às 15h48
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Noite de Artes da ALARP
Nem sei mensurar a emoção desta noite. Noite de lazer solitário, partilhado com os artistas no palco, únicos talvez, à sentir o mesmo calor na alma, plenamente identificada.
De início 70 violinos encheram o palco, aos poucos, num infindável afluir de sonhos personificados em jovens aprendizes.Aí eu lhes pergunto, onde haverá 70 interessados em aprender instrumento tão nobre e raro? Pois, meus caros a profa Marisa Lemos conseguiu arrebanhá-los. A platéia de pais, avós e tios, foi ao delírio, os olhos dos meninos eram só brilho, e a pontinha da estrela da esperança cutucou feridinha no meu coração. Doeu de lindo.
Logo depois as meninas, poetisas recitadeiras, invadiram o espaço. Era Jair Yanni a colocar flores na janela, para uma saudade que espera o momento de chegar. Era Vera Gaetani, otimista, revestida dos mais puros sentimentos, uma coincidência de olhar. Era Lucília, altiva e bela no seu vestido de babado, lilás, sua moça e o boiadeiro, enchendo o teatro inteiro com suas cantigas, e seus versos, e seu sonho, e seu pesar. Porque a vida é bela, e a tristeza é parte dela.
Um acordeon nas mãos do mestre Antonio Carlos Assalin, trouxe meu avô, que não conheci, para sentar-se ao meu lado, e me tirou para dançar. A perna escorregou lenta pela fenda do vestido, adivinhando um tango, mas os acordes ciganos me colocaram na roda, em volta da fogueira, sob a luz do luar. E dançamos vívidos, rostos afogueados, mãos unidas, cabelos revoltos, lá onde tudo é permitido, no território do imaginar. Confesso, nunca vi tal virtuosismo.
Houve uma espécie de ressureição, quando Gesmar, Djalma, e Maria Lúcia recitaram o jogral. Meu Deus! Quanta distância da chatice dos tempos de escola! Quanta emoção! Que vozes lindas! Aplaudi, sinceramente grata.
A noite terminou com o coral MInaz, e seus moços e moças que, como a maestrina, Gisele, acompanho desde crianças. Explico, minhas filhas, ainda meninas, cantaram no coral, quando todos eram crianças, menos Gisele e eu. Lindos! Diz o poeta que a música é a linguagem dos anjos, digo que acredito, pois fiquei ali, pairando à alguns centímetros do chão, sustentada pelas belas vozes e as inúmeras possibilidades que elas entoavam ,já que cantavam trechos de ópera, e óperas são histórias.
Saí dali em total enlevo, guardando comigo os abraços que seriam dos amigos artistas. Não os encontrei.Foi melhor assim. Fico com suas imagens transformadas pela magia do palco.
Beijos em todos.
Categoria: ventoseventos
Escrito por Eliane Ratier às 15h05
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Ibrahim Leão eo Rigoletto
Foi uma delícia ir à abertura da exposição sobre a ópera Rigoletto,produzida pelo Teatro Pedro II.
Fui à convite de Ibrahim Leão , o fotógrafo, e amigo, responsável pelo maravilhoso painel que tão bem retrata o espetáculo.
Foi uma bela manhã, regada à petiscos, sorrisos, arte, saudade e boa prosa.
Duas atrizes da ópera, devidamente caracterizadas, foram as recepcionistas do evento. Lindas!
Os figurinos estão lá, expondo os detalhes que a distância do palco nos fez perder, rico labor, nobreza de tecidos e de idéias.
Há também um simulacro de camarim de época, um canto, recanto de encantamento, brecha para a farsa , porta para o teatro, a oportunidade de ser o outro sem deixar de ser a si.
O aparelho de tv, estratégico,passa o vídeo da ópera, atiçando o desejo de vê-la de novo.
A exposição está na sala dos espelhos, o que acentua a mágica.
Vale a conhecimento, vale a beleza, vale o passeio. Divirtam-se.
Categoria: ventoseventos
Escrito por Eliane Ratier às 14h40
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Mônica Salmasso- Noites de gala, samba na rua
Mônica Salmasso não é a cantora acompanhada da banda.
Mônica é o sexto instrumento do Quinteto Pau Brasil, com sua voz afinada e limpa.
Instrumentistas maravilhosos, experientes, e ao mesmo tempo inquietos como iniciantes, de uma curiosidade pueril apoiada na intimidade de quem se conhece há tempos, e partilha viagens pelas estradas da vida.
Estrelas de brilho próprio num encontro feliz. Nelson Ayres e o swing do piano; Rodolfo Stroeter no baixo acústico, baixo elétrico, duelando em concerto; Teco Cardoso bordando a melodia com o sopro; Ricardo Mosca, inventando percussão, e Paulo Bellinati, um assombro no violão, enfeitando o palco com bolhinhas de sabão.
Repertório de Chico Buarque, que faz sonhar, que faz chorar,que faz desejar ser o objeto do cantar.
Colocar as canções em outras vozes, faz com que se percebam outras nuances e intenções nas letras, que o ouvido acostumado, deixou passar batido. Daí faz-se a surpresa da súbita compreensão, que pode chegar ao cérebro como entendimento ou direto ao coração como emoção.
Foi assim com " O Velho Francisco". Ainda hoje sinto os ecos. Cantarolo um "Basta um dia" e "Morena dos olhos d'água", rio ao me lembrar da "ciranda da bailarina" , mas minha predileta ainda é, e temo que sempre será "Beatriz".
Categoria: ventoseventos
Escrito por Eliane Ratier às 14h28
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