Aos mestres com carinho
Domingo fui ao concerto no teatro PedroII. Gosto dos concertos de domingo de manhã. Por serem didáticos, aprendo e escuto histórias, além da boa música.
Neste domingo o solista convidado foi o pianista Ednaldo Borba, 22 anos apenas, e ganhador de um importante prêmio em sua área.
Ednaldo é dono de uma técnica primorosa e uma leveza nas mãos que impressiona
Suas mãos lembram borboletas, farfalhando asas sobre o teclado.
Como sempre, o microfone ficou à disposição da platéia, que fez suas perguntas.
Perguntado como foi que descobriu o seu dom, sobre o apoio da família e incentivos, Ednaldo nos contou sua história, que aqui resumo.
Ele disse que sempre gostou da música desde o dia em que ouviu Tchaikowsky, mas que nem ele , nem a mãe se mobilizaram para procurar aulas de música clássica.
A decisão foi tomada, quando ele , com 11 anos, ouviu em sua igreja uma apresentação de orquestra e piano. Nesta ocasião sua mãe contatou de imediato a pianista e acertou as aulas.
A mestra reconheceu o talento do aluno e o preparou para o vestibular de música.
Sua família confiou na opinião da professora e apoiou o jovem em sua decisão.
Ele cursou a faculdade, formou-se, e acaba de prestar concurso, e passar, para a pós graduação nos EUA.
Sua escolha pelos EUA se fez pela influência de outro seu professor que trabalha no país. Este fato deixa Ednaldo mais confiante pois terá o apoio próximo de seu mestre.
Está aí delineada uma história de sucesso, e o motivo de contá-la é porque reconheço e valorizo a influência dos professores na vida das pessoas.
Amanhã, 15 de outubro é comemorado o dia do professor, e quero dizer para meus colegas de trabalho, que eles são de suma importância na formação das pessoas, e que seus ensinamentos, por atos e palavras, positivos ou negativos marcarão para sempre a vida de seus alunos, mesmo que alguns não acreditem nisso.
Por isso desejo que cada um deles possa ser lembrado pelas boas sementes que plantaram e louvados pela luzes que acenderam nos caminhos, pois é confiante em suas mãos que os pais deixam seus filhos, que os filhos depositam seus sonhos, que o futuro se faz conforme o ensinamento que o mestre oferece.
Partilho com vocês a lembrança de alguns mestres semeadores do meu caminho, não todos, pois a memória , que nunca foi boa, agora já é falha.
Profa Elisa, minha professora do primeiro ano, no Sinhá Junqueira.
Dona Alice, a professora,que nem lembro se foi minha ou do irmão, mas que lembro que era uma fera, do segundo ano do Guimarães Júnior.
Profa Dorothy, de português, do ginásio lá de Jundiaí, colecionadora de corujas, o símbolo da sabedoria, sendo ela mesma muito boa mestra.
Prof Oscar Guelli, matemática, do mesmo ginásio, autor de livros didáticos usados até hoje.
Tinha uma professora de inglês, ainda do ginásio, da qual não me recordo o nome, mas que me ensinou Beatles, e isso é inesquecível.
No colegial tínhamos verdadeiras peças raras, como o professor de física, João Batista, que empurrava a mesa para ensinar atrito, o de matemática, que tinha as mãos tão grandes e magras que as usava como compasso para explicar os exercícios de geometria e um professor de geografia que fazia a chamada, abria o jornal, e o lia com tranqüilidade, sem nos dirigir uma só palavra. Ah! Tinha também uma de biologia que abria o livro e só ensinava o que tinha no livro, quando questionada sobre algo que não estava ali, se perdia. Não pensem que com estes nada aprendi. Aprendi como não se faz.
Fora da escola, nas atividades complementares rendo minhas homenagens à Telma Biagini, minha primeira professora de piano, à Ana Póla, minha mestra do balé, e à Nelson Terrel Ferrari meu professor de inglês.
Estes lançaram tão boas sementes que se transformaram em árvores frondosas que frutificarão eternamente.
Na faculdade os mestres foram de uma doação ímpar, não só do conhecimento técnico mas do fazer humano. Cito o Homero da anatomia, a Isabel da microbiologia, o Mantovani da prótese, o Malaquias, também da prótese, o Salomão da cirurgia, o Nucci, da buco maxilo, o André da dentística... e a lista continuaria se me lembrasse de mais nomes.
Ainda hoje tenho mestres que me ensinam mais que técnicas, são mestres de vida: André Marcelo, Marcelo Ribeiro, Johnny Martins, Humberto Vianna, Carmen Cagno, Evandro Jorda, Sérgio, Márcio, Márcia, e todas as pessoas com quem convivo .
Com todas aprendo.
Sei que muitos mestres virão, minha vida é de aprendiz.
Minha maneira de agradecer é praticar e partilhar o que aprendi, por isso mando à todos meu carinho e os parabéns pela data.
Beijos, Eliane
Escrito por Eliane Ratier às 18h26
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