Saudade
A saudade vem de repente
como um perfume no vento
e nos faz olhar para dentro
sorrir por dentro
chorar em segredo
Escrito por Eliane Ratier às 22h39
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Música de balé
É isso aí, gente. A música de balé, que escuto desde os 4 anos, é a responsável pelo início do meu gosto pela música clássica.
A música das aulas é ritmada e tocada ao piano, hoje nas caixas de som, outrora ao vivo. É, tinha um piano e um pianista na sala de balé, quem viveu viu. Os exercícios se encaixam na música e geralmente quando ela toca, a gente já sabe o que vai fazer.
Saía da aula cantando e mexendo os pés pelas calçadas, contando alto os " um, dois, tres, quatro", parando de repente para revisar na cabeça alguma parte perdida da coreografia.
Vai ver que é por isso que quando vou a concertos, ouço a música e vejo dança em minha mente, uma dança inédita, se não vi alguma versão dançada, ou a que aprendi a dançar ou vi em alguma apresentaçaõ, usando o tema musical.
A música de balé tem tocado na minha cabeça pois voltei ás aulas e repito exercícios que não fazia desde os meus 10 anos e comportamentos idem, cantarolando e marcando os passos no caminho de volta.
Beijos nos meus mestres queridos:Ana Pola, Luciane,Márcio
ps: algumas músicas tem versão definitiva na minha cabeça, como o quebra nozes de Tchaikowsky, onde a dança oriental foi minha estréia no balé, num palco montado na beira da piscina do SESC, nos idos sessenta e tantos, a fada açucarada de Luciane, a valsa das flores num traje azul, que dancei aos 9 anos,Come fly with me,um tapete mágico chamado Yoshi, Summertime, num balé do Ricardo, de maiôs em preto e branco, e por aí vai.
ps2: este texto teve informações técnicas corrigidas depois de um sutil e bem vindo puxão de orelha de Ricardo
Categoria: saraus Paraler
Escrito por Eliane Ratier às 22h38
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Novembro- Feliz Ano Novo
Não amores, não é exagero, Natal foi mês passado, as decorações já estão na rua, o comércio apela até para Papai Noel magro.
Estamos no fim do ano, já reclamei, já estribuchei, mas agora aceito, e trato de me planejar com a antecedência possível.
Percebo que o fenômeno se alastra e projetos novos tomam corpo e ato agora,sem esperar pela mudança do calendário. Ano Novo virá dando continuidade ao já iniciado, mas não ultrapassado, já que o novo se faz todo dia.
O tempo é mero artifício humano para tentar organizar a vida em sociedade. Vivêssemos nós no mato, ermitãos, e obedeceríamos aos nossos relógios viscerais, e à sequência física do dia-noite, sol-chuva, calor-frio.
Portanto, queridos, todo tempo é tempo de começo, não deixe para depois, porque a única coisa certa é que o tempo passa.
Para voces, eu desejo um Novembro com bom proveito de tempo.
Escrito por Eliane Ratier às 22h02
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Tempo
centésimos de segundo decidem uma vitória ou a vida
sessenta segundos fazem um minuto, tempo de dois comerciais na tv
sessenta minutos, uma hora, tempo pouco , tempo á beça, depende se passa ou espera
vinte e quatro horas são um dia, um dia ganho, ou perdido, segundo seu horóscopo ou bioritmo
sete dias é uma semana, muito tempo para estar longe de quem se ama
quatro semanas um mês, ciclo feminino,mágico, lunar
nove meses, gestação, a maravilhosa aventura de gerar vida
doze meses, um ano, o primeiro ano, aniversário
dez anos uma década, muda moda, muda tudo, vai e volta
quinze anos, debutante, estreante num mundo assustador e deslumbrante
dezoito anos, maioridade, liberdade em forma de quatro rodas e um volante
vinte e um anos, pátrio poder, responsabilidade total por seus atos, inclusive o de casar ou falir
vinte e cinco anos, bodas de prata, sucesso
cinquenta anos, jubileu de ouro, sobrevivência
setenta e cinco anos,sorte
cem anos, centenário, rara idade, reverenciada raridade
Tanto tempo! e você, nem prá me dar uma ligadinha...
o tempo é eterno
não se perde ou ganha
não para
passa
nossa é a escolha
certa ou errada
vida passada sem ver
hora gasta sem gosto
hora ganha com prazer
vida vivida
criativa e feliz
bela e rica.
Escrito por Eliane Ratier às 21h51
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Finados
Se toda dor dói, e remédio não há, se já é tarde para caminhar pelas ruas, aliviar a angústia passo á passo, maltraço aqui estas linhas, para alívio, sangria.
Hoje, finados, dia dedicado à lembrança dos mortos. Mortos que são lembrados todos os dias por quem os queria bem, pelos que os amavam, por aqueles com quem conviviam.
Mortos lembrados pelos vivos que nos cobram honras e cuidados materias, nomes ditos em missas, sepulturas limpas, flores novas, placas de identificação em ordem, como se fosse a obrigação à manter a lembrança.
Pode ser um defeito de caráter, pode ser muita racionalização, pode ser comodismo, ou falta de costume, o fato é que eu não vou, não por agora, não hoje, preocupar-me com o material de quem já não é matéria.
Pode ser um efeito do agora, do hoje, este pensar, quando as dores ainda não são muitas.
O que me preocupa é que os ainda vivos cuidam deste ritual e lhe conferem importância, e esperam que eu herdeira, me ocupe dele quando eles se forem. Temo pela obrigação mas temo mais pela decepção, a traição de falhar-lhes no que me confiam.
Pode ser amigos, que daqui há algum tempo, eu esteja , num dois de novembro qualquer, à fazer o que hoje não entendo, por obrigação, ou pode ser que o faça porque tenha descoberto o mistério.
Então, se alguém tiver uma explicação coerente, poupe-me desta angústia e manifeste-se.
Eu agradeço.
Escrito por Eliane Ratier às 21h18
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