Vestido de Noiva- Nelson Rodrigues
Estivemos no teatro assistindo a peça de Nelson Rodrigues, Vestido de Noiva, com Leandra Leal e Marcelo Antony, entre outros. O teatro estava cheio, como fica, quando algum "global" se apresenta. Duvido que a platéia soubesse do que se tratava. Nelson Rodrigues, o festejado dramaturgo é carga pesada. Assustou-me a declaração que Marcelo Antony fez ao jornal da televisão, de que teriam transformado a peça em comédia. Não foi bem assim, não havia motivos de riso, aliás, nem de choro, nem de nada, só o martelar constante do suspense e da dúvida rodriguiana, já que o choque do tema, na atualidade, não mais nos choca, a vida real tem sido imbatível. Corretíssima a apresentação que fez uso de todos os recursos primorosamente. Bons atores, a oportunidade de ver os famosos em cena real e vê-los saírem-se bem, é definí-los além da fama. Ver o trabalho do ator que se entrega é fazer valer o preço do ingresso, e foi isso que aconteceu. Os atores cantaram e dançaram além de atuar. A cenografia foi ótima, com um espelho deformante questionando a realidade, o uso de materiais alternativos e interativos como os véus em plástico, o violão estraçalhado. O figurino foi sensacional, fiquei de olho cumprido para os modelos de Mdme CLassi, e capas vermelhas, e o vestido de noiva picotado entre o elenco, saias nos atores, que ora faziam seu papel masculino ou feminino, chapéus, penas. A cena inicial era surreal como um quadro de Dalí, as mulheres seios nus, a flor ao canto. A música foi perfeita, tangos, boleros, e música antiga, a cara da coisa, dolorida, de um sofrimento fingido como nas músicas de dor de cotovelo. Estamos vendo Nelson Rodrigues no clube de leitura, mas não tinhamos visto esta peça, daí minha curiosidade. Não pisquei para não perder nenhum detalhe, e eram muitos. A peça perde um pouco da força porque não emociona. Talvez, no passado , de onde ela vem, a intenção fosse chocar, o que acontecia devido ao tema, hoje não sobra mais nada, nem dor, nem riso, nem choque, só o belo e correto trabalho realizado pelo grupo. Valeu cada centavo e cada minuto. ps: sinto absoluta falta de um programa, por mais simples que seja, que dê o nome dos atores, do grupo, é quase um documento de referência, ao ínvés disso fui bombardeada por panfletos de cursos e coisa e tal. Protesto!
Escrito por Eliane Ratier às 20h36
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